Reflexões
sobre o uso da
calculadora na escola.
Publicado
nesta sessão em 03/03/06
Um
artifício muito utilizado por todos nós para
auxiliar a fazer algumas contas, ousamos dizer, por vários
povos nas mais diferentes culturas, são os dedos. Quem
nunca os utilizou? Se puxarmos pela memória, provavelmente,
as chances serão pequenas de essa resposta ser positiva.
Porém,
houve um momento em que os dedos das mãos já
não bastavam para as contagens e novos instrumentos
que auxiliassem os cálculos passaram a ser necessários.
Um desses momentos surgiu com a prática da criação
de animais, afinal era importante saber se a quantidade de
ovelhas que saía para pastar era a mesma que voltava.
Para isso, eram utilizadas pedras, pedaços de madeira
ou qualquer outro material que pudesse ser útil às
necessidades do momento.
O
comércio, entre outros fatores, passou a exigir ferramentas
mais eficazes e rápidas, contribuindo para a invenção
de utensílios de cálculo, como o ábaco
e a régua de cálculo, até que o filósofo
francês Blaise Pascal inventasse a primeira calculadora,
por volta de 1642. Avanços tecnológicos continuam
ocorrendo desde então, fazendo com que haja uma constante
redução de tamanho e custo aliados a um aumento
de capacidade e velocidade. Graças a esse progresso
podemos encontrar calculadoras digitais a preços acessíveis,
o que torna fácil a sua aquisição, fator
que nos permite dizer que elas já fazem parte do nosso
cotidiano.
Afinal,
quem nunca manuseou uma calculadora? Imaginemos como seria
se ela não existisse? Quanto tempo perdido e quantos
negócios deixariam de ser feitos se não pudéssemos
contar com a agilidade desse recurso?
Acreditem,
milhares de pessoas são obrigadas a viver como se a
calculadora não existisse. Elas estão fechadas
em muitas escolas que, em pleno século XXI, simplesmente
se omitem diante dessa evolução tecnológica.
Uma evolução que tem a sua inserção
na sala de aula defendida por pesquisadores em Educação
Matemática, não havendo, no entanto, unanimidade
nesse ponto de vista, pois algumas pessoas acreditam que o
fato de não poder utilizar esse instrumento no vestibular
obrigaria a sua exclusão das salas de aula da educação
básica. No entanto, isso seria o mesmo que defender
o não uso de outros recursos didáticos que não
podem ser consultados no exame vestibular, como o Atlas, dicionários,
compasso, transferidor, jogos, livros didáticos, computador,
entre outros.
Não
pretendo aqui fazer uma apologia ao uso da calculadora de
forma irrestrita. Apenas acredito que, quando o seu uso é
criterioso e bem planejado, ela pode contribuir de forma significativa
na formação dos educandos, pois tem a capacidade
de colocá-los bem mais próximos de sua realidade.
É
o educador quem deve decidir o melhor momento de uso, e quais
são as situações nas quais a calculadora
poderá ser inserida para contribuir na construção
do conhecimento e não como algo que venha a substituir
metodologias já existentes. É importante que
o uso ocorra de forma paralela aos cálculos mentais
e estimativas, seja na construção de conceitos,
na resolução de problemas, na organização
e gestão de dados ou em atividades específicas
que colaborem para a construção de significados
pelos alunos.
A
discussão sobre o assunto não se esgota aqui.
Há a necessidade de um acompanhamento constante para
se verificar se as estratégias utilizadas estão
colaborando com o crescimento intelectual dos estudantes.
Somente assim, poderemos contribuir com a evolução
do nosso sistema educacional e, conseqüentemente, com
o desenvolvimento de nossa sociedade.
Rony
Cláudio de Oliveira Freitas é
assessor de matemática da Escola Monteiro Lobato Cems.
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