VESTIBULAR O QUE NOSSA ESCOLA TEM COM ISSO
Todos os anos nossa escola é assolada por questões do tipo: “mas esta escola prepara para o vestibular?” ou “ah! Esta escola só é boa até o 9º ano depois é preciso ir para uma escola forte!” Aqui poderia ser a fala de alguém do 5º ano, do 9º, ou do 2º ano do Ensino Médio, pouco importa, no fundo os questionamentos são os mesmos.
É sempre bom podermos esclarecer algumas coisas com os nossos pais e alunos acerca de como a Escola Monteiro Lobato Cems pensa questões como esta, a do vestibular.
Em verdade é sempre curioso imaginarmos que um aluno passa oito, dez, onze anos nesta escola e na hora do vestibular procura por uma outra: seria curioso, se não fosse trágico, pois a nossa escola possui um nível de exigência, um currículo e um corpo docente e técnico de alto nível, e isto pode ser comprovado em todos os dias letivos, com uma pequena diferença de outras escolas: damos a todos os nossos alunos o direito de serem alunos, sem que os separemos por uma lógica meritocrática.
Existe uma confusão entre as quantidades de coisas que se podem ensinar em um determinado prazo de tempo e a qualidade daquilo que se ensina. Tanto nosso currículo como o nosso material didático são quantitativamente bons, qualquer dúvida é se comparar o currículo e o material didático com os das demais escolas. Na dúvida, conte-se quantas páginas tem cada bloco nosso, quantas folhas extras são entregues ou quantas aulas são oferecidas em cada ano em cada disciplina. Não apenas não ficamos a dever nada quantitativamente, como também superamos – e muito – qualitativamente o ensino massificado e mecanicista que é vendido por aí.
Todos os nossos alunos, com aquilo que recebem na escola, são capazes de fazer qualquer prova de vestibular em qualquer lugar deste país: acusar a nossa escola de ser fraca somente revela desconhecimento de quem nós somos e de como fazemos as coisas em sala de aula.
O que se vive aqui, especificamente em Vitória, é que as escolas se vendem na mídia como um sabão em pó ou um supermercado qualquer e, convenhamos, educação não é algo que se possa expor em trinta segundos de mídia: a escola está muito além desta desenfreada banalização da sua importância social. Com a mídia se faz parecer melhor, mesmo sendo muito pior: a imagem, a aparência se fazem verdade e realidade, e isto quem ensinou não foram os publicitários, mas W. Churchill que, buscando explicar o fenômeno nazista, afirmou: “conte uma mentira noventa e nove vezes que, quem sabe, na centésima, ela se torna verdade” .
A realidade é que nossa escola é tão boa ou melhor do que outra escola, fazemos o que fazemos sustentados em valores e princípios claros, com meios e fins bem determinados, e não olhando apenas para o vestibular. Não somos bons para o vestibular, somos bons para muito além dele, somos bons para educar, para formar.
Rubem Alves, educador brasileiro, homem de visão longa e paciência curta com a realidade educacional brasileira, já repetiu uma centena de vezes que não é possível imaginar a escola como um lugar de dopados que passam anos a fio olhando apenas para um ponto fixo chamado vestibular, é preciso mais que isso para se educar bem alguém, muito mais; de tanto ser questionado sobre o espectro maior da escola e o menor que deve ter o vestibular, ele respondeu em um artigo no jornal Folha de São Paulo em 2006: “vestibular?? Como resolver a questão? Façam um sorteio e pronto. E deixem a escola em paz.”.
Professor Dante
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